A Yoga e os Cristãos - do livro Yoga em Casa (edição 1977)


Swami Sarvânanda

Vivemos e fazemos parte da civilização Cristã. Somos cristãos, há muitas e muitas gerações; na verdade há dois mil anos quase, e isto não pode ser ignorado.

A prática de Yoga, tal como a concebem os orientais, os hindus particularmente, não condiz necessariamente em todos os pontos com nossa vida de ocidentais, por mais que alguns instrutores de Yoga – ocidentais – se esforcem para demonstrar que vive.

A civilização hindu, multimilenar, cuja origem se perde na noite do passado, orientou-se de forma diferente da nossa, criando um homem diferente, oriental, na sua essência, se bem que aparentemente idêntico a nós. Não me cabe aqui filosofar acerca desta diferença, mas acredito que os que viajaram à terra do Bharat, a Índia, e que procuram eventualmente passar para frente conhecimentos e experiência adquirida naquela terra lendária, encontram dificuldades para consegui-lo, tendo que modificar técnicas, procurando modos que se adaptem a nossa mentalidade.

Mas, ainda assim, a prática de yoga poderá servir muito bem como preparação, como base, cavalo no qual se deve enxertar, finalmente, o ensinamento do Cristo.

Nosso planeta onde vivemos é como um colégio. Passam por ele levas de alunos, aprendendo, esforçando-se ou não e, sem dúvida, vem a prova final, quando são separados os repetentes dos que foram aprovados. As civilizações com suas respectivas religiões são dos graus de evolução das turmas, que vieram desde Krishna a Moisés e ao Cristo, que é o último grande Revelador. É a mais avançada turma do colégio. Ser um bom e verdadeiro Cristão é realmente difícil. Será por isso que tantos alunos ficam para segunda época?... Procurando realizar-se por intermédio de religiões do passado, como o Budismo, por exemplo?... Deixo isto para sua meditação.

Agradecemos, então, aos nossos predecessores, do oriente e do ocidente, pelo que nos legaram. Respeitamos seus ensinamentos, as regras de vida que criaram e que, em grande parte, são válidas para nós, de hoje, também. Pratiquemos o máximo possível tudo o que seja útil para nós. Usemos de sabedoria dos Antigos que conheciam a Paz, conciliando-a com a nossa nova maneira de ser para criarmos assim um homem consciente no tempo e no espaço, porém voltado para Aquele que é fonte da Sabedoria e da Paz.

O método que estaremos utilizando, a partir das páginas seguintes, é de um ocidental, homem extraordinário, de cultura da alma e do coração difícil de igualar, e que foi nosso Guru. Ainda e é. Criou e lançou há anos atrás uma Yoga nova, ocidental e completa, chamada “Sarva Yoga”, na qual fundiu, a sua maneira eficiente, conhecimentos ocidentais com os dos yogues. Seu nome: Léo Costet de Mascheville, ou, como o conhecíamos melhor: Sri Sevânanda Swami. Possa ele, através destas páginas, fazer sentir sua presença cada vez que iniciar sua prática.

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